terça-feira, 11 de agosto de 2009

Encontros e Desencontros

Não foi engano. A festinha foi mesmo boa. Eu e Juju, Juju e eu. Como sempre. O tema era “old school”. Adoro temas. Fomos as duas de colegiais fashionistas, com gravatas, jeans, regatas e um pouco de alfaiataria. Nada “sechy”. Nada óbvio. Porque nada pode ser mais óbvio e “caphona” do que fazer a colegial “sechy”. Uuui. Tenho até arrepios.
Mas foi preciso assumir as gravatas. É que o tema não era obrigatório. E quando adentramos no recinto, perto da uma da matina, a festa ainda estava vazia, o que significa dizer que, além dos organizadores, só a gente tinha entrado na brincadeira. Povo sem graça. Sem imaginação. Deu vergonha, mas passou. Bancamos as gravatas, tomamos fôlego e colhemos os elogios. Muitos. E todas as cantadas cansativas, que tornam, em questão de segundos, qualquer ser qualificado como interessante, automaticamente, desinteressante. Perdi a conta de quantas vezes ouvi a seguinte pergunta retardada: “como você deu o nó da gravata!?”, e a sua variante mais ousada e de péssimo gosto: “preciso de uma namorada do seu tipo, para dar esse tipo de nó na minha gravata!”. Comentários dispensados.
O fato é que a festa foi boa. Os amigos compareceram aos montes e vários universos paralelos se abriram. Ou seja, aconteceu de um tudo, para cada um de nós, embalados por músicas incríveis, daquelas que você dança até se acabar, até ser retirada da “pysta”, a muito contra-gosto, depois das cinco da manhã, pelos amigos cansados (...).
Tá sem graça, não é mesmo!? Sei que tá. Mas é que não sei como dizer que, de repente, enquanto eu seguia absoluta, com a minha power gravata displicentemente jogada sobre a camisa, o meu coração fez um “tum” mais forte e parou. É que eu dei de cara com ele. Com ele mesmo. Pryncy..., ou melhor, Sapo/Cururu/Verruguento. E como os “tuns” do coração são involuntários, eu fiquei nervosa e tive seqüências de frios na barriga e faltas repentinas de ar. Quase os sintomas de uma gripe suína.
Dei de cara com ele. Ele de cara comigo. Ainda bem que nessas horas de despressurização, máscaras de oxigênio caem automaticamente na cabine. Puxei a minha, dei uma boa respirada, ergui a cabeça, olhei firme e disse “oi”. Ele, que não sabe manusear máscaras de oxigênio, baixou os olhos, levantou-os outra vez, deu um meio sorriso, baixou os olhos de novo e disse “oi, Kryx”. O meu nome era “quem fez merda foi você”, já o dele, o nome dele era “vergonha”. Não sei quem deu o primeiro passo. Acho que fui eu. Um beijinho. Lateral. Como amigos. E a minha mania automática e involuntária de pousar, levemente, a mão direita no ombro de quem eu cumprimento. Ele apertou essa mão. Com força. E a minha mão, totalmente desfocada do meu cérebro, derreteu. Sorri e saí. Durou segundos. E minutos de tremedeira. Mas nada que um drink não resolva. E outro. E mais outro. E parei no terceiro. Porque agora eu e Juju temos um pacto contra o alcoolismo: ela bebe duas coisas de qualquer coisa, eu bebo três coisas de qualquer coisa. E nada mais. Ao menos por enquanto estamos conseguindo...
Evitei o Sapo a noite inteira. Vez ou outra, a gente se encontrava olhando. E virávamos a cara na mesma hora. E trocávamos de lugar no mesmo instante. Mas a festa estava muito boa para ir embora. E também, não era para tanto. Por isso fiquei. E na hora que tive a certeza de que ele beijaria uma mequetrefa, enfiei-me no meio da pysta com Juju e dançamos como se não houvesse amanhã. Os queridos foram se chegando, os pentelhos com as suas cantadas chatas/engraçadas, também. Não deu vontade de beijar ninguém. Mas dei boas risadas. E pensei, “Kryx, essa história já não está encerrada?”, e encerrei a história. Ao menos naquela hora. Até encontrar novamente com o Sapo, dançando bem perto. Ele não tinha beijado a mequetrefa. Ele olhava. E baixava a cabeça. E eu dava de costas. Até que ele foi embora. Sozinho. Parou na minha frente. E ficou olhando para sempre. Fez uma cara conhecida. Uma cara que eu conheço bem. E saiu. Precisei novamente das máscaras de oxigênio.
Mas não parou por aí. Outro encontro se sucedeu. Dessa vez com o ex. Sim, não o ex-ex, nem o ex-ex-ex-eca!, o ex mesmo, o último. Teve outra festinha. Não tão boa. Aliás, nada boa. Era sábado e eu e Juju, e Juju e eu, na falta do que fazer, passamos por lá (Sim! Nós somos muito resistentes!). Ele apareceu. Gigante como sempre. Impossível de não ser notado. Parou e ficou conosco por um bom tempo, dizendo que eu tinha que me comportar. Não, não precisei usar máscaras de oxigênio. Não senti frio na barriga. Não tive tremedeiras. Só carinho. Que terei por ele para sempre. Afinal, tudo tem um limite! Se começar a sentir frio na barriga por todos eles, ganharei, com certeza, uma gastrite. Um dia eu conto essa história, mas essa passou.
E assim se deu mais um final de semana... Parece que São Paulo ficou pequena para a minha pessoa. Encontros, desencontros, “time" errado. Um dia, acerto o meu relógio. Até lá, paciência!, o jeito é seguir dançando, programando o próximo finds e bebendo três coisas de qualquer coisa. Querem me encontrar também? Depois circulo a agenda. Juju e eu somos diversão garantida! Isso é certeza!

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