quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Crise Existencial

Dei risada de mim mesma. Aliás, isso é bem freqüente. Que tipo de gente comemora o fato de passar um aniversário sem crises existenciais!? Gente psicótica!? Talvez. Gente que precisa de uma trouxa de roupa para lavar!? Quem sabe. Fato é, sou assim. Pessoa de crises. Sempre existenciais. Porque quero sempre saber para onde estou indo, de onde vim e voltei; se este “indo” está indo bem e o que ando fazendo por ele.
E a crise chega quando o “ir’, o “vir”, o “voltar”, ou ainda o “fazer” parecem ter perdido o sentido. E eu preciso, muito, fazer sentido. Do contrário qual a razão de tudo isso!? Calma. Não pretendo realizar proezas que me garantam o Nobel, o Pulitzer, ou uma Canonização. Nada disso. Muito menos. Só quero encaixar. Comigo mesma.
Como aniversário sempre fez a minha cabecinha fraca pensar, a última crise começou nos 3.2. O trabalho não convencia, o namoro não convencia, eu não me convencia. As pessoas me ligavam para desejar “Ehhhh! Parabéns!” e eu me perguntava “Por qual motivo esses loucos estão me dando ‘parabéns’!?”. Melhor: “Que raios estou eu fazendo da minha vida!?”
Para obter a resposta, foi preciso jogar tudo para o alto. Brincar de outra coisa. Largar o emprego. Pensar o namoro. Sair pelo mundo. Ser irresponsável. Pela primeira vez na vida. Pagar para ver. E ver a vida dando voltas. De todos os tipos. Nem sempre muito boas. Nem sempre minhas. Quase nunca desejadas. O preço pago de quem paga para “se” ver tal qual se é: nua e crua, sem rímel e sobrancelha feita, com a cara inchada de tanto chorar, ou com vincos no rosto de tanta risada. O “tanto” foi companheiro inseparável. Tudo era de um “tanto” inquantificável. Tudo grande. Tudo intenso. Tudo vivido.
E foi assim que virei os 3.3: desfazendo malas, sem emprego e namorado. Feliz? Não necessariamente. Não todos os dias. Mas refazendo o meu “ir” e sabendo para onde “voltar”. Porque, sabe aquele dito de que é preciso se perder para poder se encontrar!? Pois é. E vou além, é preciso se perder e perder tudo o mais que vem com a gente. É preciso se desapegar para aprender o que realmente importa. E seguir. Continuar!
Por isso que os 3.4 serão despidos de crises existenciais. Já me dei o direito de enlouquecer e já voltei ao meu estado relativo de sanidade, porque vamos combinar que sanidade em excesso faz mal à saúde. Na véspera dos 3.4, eu me encaixo comigo mesma. E amo a minha vidinha ordinária.

2 comentários:

  1. UHUU, me sinto menos sozinha depois de ler esse texto. Um dia achei que tinha me encontrado completamente quando de repende olhei pra tudo aquilo e não era nada daquilo. Fiz as malas e deixei tudo pra trás. Estou nesse momento me perdendo pela segunda vez, mas acho que estou encontrando alguma coisa que a cada dia, devagarinho está se encaixando...será que um dia seremos constantes no nosso encaixe?
    Ai, to com insonia hj, acho que me empolguei

    era só pra dizer que adorei o texto!

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  2. Que bom que gostou!
    Arriscando uma resposta à sua pergunta, acho que não, a gente muda tanto que o encaixe termina desencaixando...
    E tenho a impressão de que a constância será um sinal de que a brincadeira estará no fim, rsrs...
    Bjs

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