E depois de muitas risadas às minhas custas; lagriminhas, também; e torcidas múltiplas, encerro a minha participação nesse blog. Para começar coisas novas ou continuar de um jeito diferente. Não sou mais a mesma depois de tanto mel e tanta champanhe. Sou melhor em uns pontos, pior em outros, mas estagnada, jamais! Por isso que a coisa foi minguando assim, como se, de repente, não tivesse mais nada a dizer. Bobagem. O quanto não há ainda a ser dito! A questão é que tem que ser dito de outra forma, de outro jeito, com mais ou com menos champanhe; com mais ou com menos abelhices; mas sempre com muito mel; totalmente sóbria ou embriagada do que quer que a vida tenha trazido.
Só cheguei à conclusão de que não dava para parar pela metade, sem explicações ou conclusões, e que seria bom dar um pouco de satisfação ao nosso público diminuto, amado e fiel. Não gosto de filme cabeça, sem começo e fim, que acaba no meio. Isso é coisa de intelectuoide, receoso em admitir que não entendeu, não gostou e só vai recomendar aos inimigos. Eu, que já fiz de um tudo para encontrar a Hebe, e quase parei a Ana Maria Braga no meio do shopping para dizer o quando curtia o Mais Você, não faço esse gênero, gosto de finalizar as estórias, e sempre que possível, dou um jeito do final ser feliz.
Por isso esse post derradeiro. Para falar tudo e não falar nada, porque obviedade é muito chato e caphona, e vestindo a carapuça da oradora da turma, no encerramento do ano letivo, gostaria de terminar a minha participação nesse blog fazendo uma ode às solteiras de todo o Brasil, porque Abelhas&Champanhe poderia ser traduzido como Solteiras&Feliz!
Não deveria existir novidade nenhuma, em pleno Sec. XXI, se você adentrou na casa dos 30 e não contraiu matrimônio ou se contraiu e, por que não!?, descontraiu (literalmente, no sentido de “descontrair”, “descontração”).
Mas atire a primeira pedra quem nunca teve uma tia (avó, tia avó, prima, cunhada, concunhada, tia postiça, empregada da mãe, a própria mãe, vizinha, colega de sala no escritório, atendente de ginecologista, amiga da cadeira ao lado no avião e por aí vai...), que já olhou com dó para a sua pessoa singular, num mundo dominado pelos plurais, ou lhe qualificou como ameaçadora, por você estar avulsa.
É como se solteirice fosse doença, defeito, estado civil de quem ainda não chegou lá ou quer pegar o homem alheio. Como se numa época pós Simone de Bouveur Leila Diniz, As Panteras, Bridget Jones e Sex and the City, as mulheres não tivessem o direito de escolher fazer o que bem quisessem - desde neurocirurgiã a dona de casa, presidenta da república, mulher fruta, mãe de família, sapatona, monja budista, whatever! -, na hora e na oportunidade mais convenientes. Como se casar fosse um cronograma a ser seguido, mais um item a ser cumprido em uma planilha Excel, da qual só as desavisadas e infortunadas ficam de fora: “formatura”, “primeiro emprego”, “pós-graduação“, “promoção”, “noivo!”, “apartamento”, “decoração do apartamento”, “docinhos”, “salgadinhos”, “champanhe”, “convidados”, “daminhas”, “vestido”, “casamento”, “lua de mel paradisíaca”, “primeiro filho”, “segundo filho”, e aí, pergunto eu, depois de tudo isso você faz o que da vida? Plástica!? Talvez, seja uma boa.
E já paro para dar explicações, nenhuma crítica as casadas, eu também quero casar, juntar, dividir escova de dente, o que for! Fora que tenho uma penca de amigas casadas, bem resolvidas e felizes, que não deixaram de ser quem eram e que continuam cúmplices das solteiras nessa vida cheia de vai e vem. A crítica vai para quem não concebe a vida de outro jeito, como se fora dessa programação tudo não passasse de um grande vazio, e olha para a sobrinha, para a neta, a sobrinha neta, a prima, a cunhada, a concunhada, a sobrinha postiça, a filha da patroa, a própria filha, a vizinha, a colega de sala no escritório, a paciente da ginecologista, a amiga da cadeira ao lado no avião, acreditando que felicidade é inconcebível para elas; ou como se a vida fosse limitada porque não têm um homem ao lado, ou ainda não desfrutaram do paraíso da maternidade; ou além, como se ela, a solteira, fosse capaz de transitar em volta do zangão previamente algemado e surrupiá-lo, inescrupulosamente, para a sua colméia; e não satisfeitas, ainda olham com aquele olhar crítico e perguntam “oh, meus deuses, como essa pessoa ainda tem saco para ir para a balada!?”; ou fazem cara feia e jogam praga.
Acontece que muitas vezes esquecem que felicidade (e o título de “destruidora de lares“) não tem estado civil determinado, nem necessariamente uma prole coligada. Nem vida interessante também os tem.
Não que ser solteira seja a chave para todos os seus problemas. Solteirice implica em pagar contas sozinha, endividar-se sozinha; trocar o pneu do carro sozinha, ter um carro sempre sujo e deixar passar o tempo certo para trocar o óleo; implica em carregar todas as sacolas do supermercado sozinha, e chorar por não ter nascido uma deusa indiana com mãos e braços suficientes para segurar todos os seus pacotes; implica em geladeira vazia, com água e ovo; implica em ficar doente e ter que levantar com febre para tomar o próprio remédio; e passear com o cachorro em dia de chuva; além de carregar, sozinha, esse mesmo cachorro, que pesa metade do que você, quando o cão fica doente; implica em tirar o lixo por conta própria e em achar que os seus óvulos vão acabar caso não consiga encontrar, em tempo recorde, um doador; implica em ter pânico no meio da noite, pensando que se tiver algum ataque súbito você vai descer de camiseta e calcinha para pedir ajuda ao vizinho ou ao zelador; implica em vestir um pijama decente para prevenir as conseqüências do ataque súbito, caso você precise de ajuda, ou caso encontrem o seu corpo putrefato, após duas semanas.
Mas implica em paz e silêncio ao acordar nas tardes ressacadas e cheias de boas lembranças do domingo, sem ter criança chorando ou precisando ser cuidada. Implica em ser livre para fazer o que quiser, na hora que bem quiser e assim entender. Implica em não dar satisfação para ninguém, sair para passear e só retornar quando der na telha. Implica em ter vida sexual ativa e animada, mais animada, tantas vezes..., do que de muita casada que olha torto para a sua solteirice. E em estar geralmente em dia com a academia, a dermatologista, a manicure, a depiladora, porque o tempo e o dinheiro são só seus. Pode parecer egoísta. Talvez o seja. Mas será mesmo que todo mundo nasceu para ser mãe e padecer no paraíso? Ser solteira é viver no paraíso e padecer em outros lugares, como, por exemplo, em festas infantis. Ou levante a mão quem não tem filho e quem tem filho também, e assuma aqui e agora que adora ouvir aquele barulho ensurdecedor de buffet infantil!?
O que quero dizer, solteiras amigas, é o seguinte: você está muito, muito longe de ser velha; aliás, não tem nada mais ultrapassado do que se sentir velho e inapropriado para coisas classificadas como da “juventude”, aos trinta. Pense bem, a expectativa de vida só aumenta. No mínimo, mas no mínimo mesmo, se você não for muito afortunada, você ainda vai viver mais uns trinta anos, se você se sente velha e inadequada agora, como você se sentirá aos 60? Cuidado. Essa pegadinha é que faz muita gente voltar a usar mini mini micro saia nos tempos sexagenários, porque não a usou até a exaustão enquanto podia.
E quando penso nos meus pais e em tudo o que eles aprontam agora, concluo que a vida deve mesmo é começar aos 60. Só gostaria de deixar bem claro que a minha mãe não usa mini saia, e que o meu pai, apesar de serelepe, é um senhor sóbrio e jovial.
Mas, voltando ao que interessa, provavelmente agora, você é ainda mais bonita do que era há dez anos; provavelmente, você tem mais dinheiro do que tinha há dez anos; provavelmente, você leu mais, viajou mais, assistiu mais filmes; riu mais, chorou mais; fez novos amigos; provavelmente, você sabe mais das coisas, sabe mais de você, sabe mais o que quer, ou está reaprendendo a saber.
Case. Com 20. Com 30. Com 40. Com 50. Com, sei lá, que idade. Mas case e não deixe nunca de ser você. Não perca a sua capacidade de se fazer feliz, nem se perca de si mesma. Case porque você está loucamente apaixonada por aquele homem. Não para cumprir um cronograma, sentir-se segura ou achar que ganhou status. Engravide dele e vire uma vaca de gorda se for o caso. Mas não porque você tem medo que os seus óvulos acabem. Engravide porque a pessoa mais especial do mundo será o resultado da sua metade com a dele. E quando o rebento chegar, lamba a cria, lamba a cria, lamba a cria, amamente, esterilize mamadeiras, deixe de dormir, implique com a babá, vire uma louca varrida, mas não pare a sua a vida, seja lá o que você tenha escolhido viver, porque um dia, ao menos por um tempo chamado adolescência, você vai se tornar uma chata ou coisa parecida para esse mesmo rebento, e vai sofrer da síndrome do ninho vazio, quando, após ele passar pela fase difícil e resolver voltar a ser seu amigo, decidir também seguir carreira solo e sair de casa. Também pode ser que o Bonitão resolva dar um pé na sua bunda trabalhada com muita caneleira, ou, por que não!?, você resolva dar um na dele. E, por favor, dê um jeito de se recauchutar caso tenha virado uma vaca de gorda. Embarangar faz mal para o ego e causa amargura. Fora que o maridão vai bater palminha e dizer “obrigado!”. Ah! Que tal deixar de convidar maiores de 12 anos para as festas em buffet infantil!? Ou faça a festa no play do prédio, no jardim de casa, no pátio da escola, não importa!, desde que não seja no massacrante buffet infantil. E não tente descolar o mala encalhado da esquina como blind date para a sua amiga solteira. Se é para apresentar alguém às escuras, que seja pelo menos bonito, rico, sorridente e perfumado, com o abdômen, de preferência, definido, ou do contrário, ela saberá fazer melhor. E enquanto nada disso acontecer, ou se, por acaso, tudo isso acabar, viva todas as incríveis possibilidades que só uma vida só sua pode proporcionar. Se esquecer como ou caso se perca no caminho, leia e releia todos os posts escritos nesse blog, todas as aventuras vividas e traduzidas por Kryx, Beebee, Pryx, Juju e tantas outras colegas de auditório. É o que eu pretendo fazer.
No mais, solteiras, mães solteiras, casadas, amancebadas, separadas, divorciadas, viúvas; com cabelo liso, cacheado ou chapado; de todas as idades, cores, formas e tamanhos: tratem sempre de ser muito felizes e nunca, jamais, percam a “interessância”, palavra de um neo português duvidoso, cujo significado - adoro e por isso adoto! - pode ser traduzido como “capacidade de despertar interesse”.
Acho que é por aí! Depois conto o desenrolar da estória. Em outra hora e em outro lugar, eu deixo vocês saberem o como será.
Até lá.
Amazing o Ode final! Digno de todos os posts e 2009! Vcs conseguiram à distância alegrar muito minha vida ano passado! Vou guardar o ODE para sempre, pois tem muita "dica" que não posso esquecer jamais!! Mil beijos para as minhas abelhas rainhas!
ResponderExcluirE que não nos faltem as tais purpurinas douradas e translucentes, KRYX.
ResponderExcluirEu amo vcs! Obrigada por dividirem tão especial e unicamente uma das fases mais deslumbrantes da minha vida!